Da janela daquela casa antiga,
duas velhinhas observam a rua.
Vou e volto e elas lá...
Olhinhos atentos,acostumados a observar.
Solteiras? Viúvas?
Não sei, só sei que estão lá.
Talvez o último resquício de uma numerosa família.
Não sei. Quem saberá?...
Em outros tempos, jovens e formosas,
talvez jamais se detivessem assim a contemplar,
porque os dias então eram breves
e no entanto hoje,custam a passar.
Vou e volto e elas lá...
Uma o esteio da outra ,
integradas à arquitetura centenária da casa,
que só permanece de pé,
porque elas estão lá.
Será que enxergam ou apenas olham?
Será que as imagens que percebem
são mesmo as que estão lá?
Ou será que apenas reveem o passado?
Quem sabe aquele moço bonito,
que um dia passou por ali e lhes sorriu,
aquele Ford Bigode, último tipo,
que passou bem diante de sua janela e sumiu.
Aquela rua toda iluminada
por lindos lampiões a querosene.
E aquele som meio roufenho de gramofone,
fazendo o fundo musical da paisagem antiga,
embalando a noite e a lembrança,
transformando tudo na mais absoluta saudade.
O olhar delas é o de quem assiste a um filme,
na antiga tela daquela janela.
Não sei. Quem saberá?
Só sei que vou e volto e elas lá...
Nenhum comentário:
Postar um comentário