quinta-feira, 31 de março de 2011

A maternidade das rolinhas.

Estamos reformando uma casa,que adquirimos no final do ano passado e pra onde pretendemos mudar em breve. Quem já passou pela experiência, sabe o quanto é desgastante, e a essa altura, já estamos bem desgastados e o bolso mais ainda,mas...como dizia minha avó:"-O que é de gosto é regalo da vida",e a verdade é que a casa está ficando muito bonitinha.
Estivemos hoje lá na obra,como aliás,passou a ser nosso passeio obrigatório,numa vontade louca de ver tudo já pronto e voltei com uma sensação bastante agradável, que nem tem nada a ver com a obra,mas que alivia muito a tensão,vou contar:
Quando compramos essa casa, observei que havia uma rolinha construindo seu ninho no alto de uma das colunas da varanda. Ela ia de lá pra cá, carregando gravetinhos,folhinhas secas,pedacinhos de paina,compenetrada no serviço e apressada, totalmente indiferente a nós, os novos donos do pedaço. Nós, planejávamos a nossa reforma, fazíamos contas , pesquisas de preço de materiais e mão de obra, mas ela já colocava mãos à obra e se saia muito bem,seu ninho já despontava por sobre o caibro bem trançadinho, firme e aparentemente confortável.
Pois bem, dias depois, quando voltamos lá, foi com muito pezar que encontrei a avezinha aflita, saltando nos galhos de uma árvore próxima, num pipilar diferente que a mim soava como se fosse um pedido de socorro (sei lá, mas interpretei assim) e acho que estava certa, pois logo descobri a razão: a dedetizadora que contratamos, simplesmente havia derrubado o ninho.Lá estava ele, todo destroçado no chão,afinal,quem iria se importar com isso,né? Rolinhas não dão queixa na polícia, não vão à televisão nem aos jornais,não processam seus malfeitores,nem xingar elas conseguem...Pois é,que diferença faz um bichinho tão pequeno no contexto da sociedade?...
Mas foi aí que  descobri que "eu" me importava sim, porque aquela rolinha fazia parte das minhas miudezas e ficaria no meu baú subconsciente para sempre. Ato contínuo, resolvi  eu mesma construir outro ninho; devo dizer que não foi das tarefas mais fáceis da minha vida, mas fiz o que pude e amarrei a dita obra lá no lugar da destruída. Houve quem dissesse que o "meu ninho" seria regeitado,e temi mesmo por isso , afinal, não ficou lá essas coisas,mas ...acho que a avezinha pensou assim:"-Melhor essa marmota do que nada e as crianças precisam de um berçário urgente,antes que algum gato aventureiro lance mão".
Em resumo, em pouco tempo o meu ninho já estava habitado.Pude observar o crescimento de dois bebês pombinhos ,que aliás, se deu muito rapidamente pois logo estavam ensaiando o primeiro vôo pelo quintal junto com a mamãe e depois partiram em vôo de formatura, ganhando o azul, que desde sempre lhes pertenceu.
Bem, mas tudo isso já aconteceu há algum tempo,foi no início da minha reforma. Hoje, já que aquele ninho permanecia lá, sem utilidade no alto da varanda, resolvi que era hora de descartá-lo. Pois a surpresa foi grande...descobri que ,sem querer, acabei firmando convênio com a natureza através da minha maternidade para pássaros. kkkkkkkkk...adorei a parceria. Vejam a foto.


Um comentário:

  1. Amei a delicadeza da história e sua maneira de compartilhar. Parabéns pela abertura do blog.
    Beijos
    Ju

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