Acho que aprendi muito com os cães,a incondicionalidade do amor dessas
criaturas,sempre me impressionou. Aprendi a respeitá-los como seres
superiores, que na realidade o são.
Lá em casa , na minha infância, não era raro recolhermos cachorros de
rua. Eles vinham doentes, fracos, tristes,mas com alguns cuidados, logo
estavam lindos, renascidos das próprias cinzas, e retribuiam como
ninguém aos nossos carinhos, com uma abnegação total e absoluta.
Uma vez, recolhi na vizinhança um vira-latas horroroso,coberto de
sarna, quase careca,mais parecia um rato de esgoto. Ele andava se
escorando nas paredes,acho que pra não cair, de tão fraco que estava.Eu e
meu pai, tratamos dele com uma mistura de enxofre, violeta de genciana e
creolina, ( a receita, meu pai levou consigo para o andar de cima) além
de uma boa alimentação,é claro. Pois ele virou outro cachorro,de dar
gosto de ver. Como na época já tinhamos mais dois outros cães,o
vira-latas foi batizado com o nome de "Três Contigo". O tal cãozinho foi,
sem dúvida, meu maior amigo de infância,companheirão de todas as horas e
todas as brincadeiras, fazia de tudo para agradar inclusive me enchendo
de presentes,coisas que ele achava lá por suas andanças de ex-vagabundo. Eu, na minha ingenuidade de
criança, incluia tudo entre meus brinquedos; por vezes eram fitas, copos,
caixas de fósforos,uma vez trouxe uma bonequinha de pano,que me
entregou pulando de alegria. Eu não podia imaginar onde aquele danado
encontrava tanta coisa interessante, mas também não estava interessada,
eu adorava mesmo era ganhar presentes.
Um dia, "Tres Contigo" chegou correndo espavorido, arrastando um enorme
lenço vermelho,jogou-o nos meus pés e se enfiou debaixo da cama. É que
atás dele, vinha Dona Umbelina,a portuguesa dona do botequim da
esquina que,aos berros, me deu ciência de tudo:
"Ó M'nina!...Cuida de trancar esse teu cão,que o doidivanas já está outra vez a barafustar nos despachos da encruzilhada...Arre, que me pelo de medo quando o vejo a brincar com as coisa do malévolo..."E persignava-se sem parar.
Foi só aí que me dei conta de tudo,mas esse foi um hábito que ele jamais abandonou, e eu, com sua ajuda, fiz uma enorme coleção de brinquedos exóticos,que guardava cuidadosamente em uma caixa de papelão e que faziam o maior sucesso com a molecada da rua.
Gleise, me lembro de quando eu estava às voltas com a doença do Nino, lembra? Eu lá em Corumbá, ele em Ipatinga, condenado pelo veterinário ao sacrifício. Me lembro de ter pedido seu conselho...Bom, não preciso dizer que o Nino está vivinho da Silva, correndo, subindo escadas, pulando...parece que me agradecendo por ter insistido...Amoooooo!!!!!
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