terça-feira, 5 de abril de 2011

Luz e movimento.

Diante do Museu de Arte Moderna o cartaz anunciava a exposição da temporada "Luz e Movimento"e, embora não sendo muito fã de arte moderna, o tema até que me pareceu interessante. Luz é tudo o que mais me fascina, o que seria do mundo sem ela? E movimento é vida, vida  que gera calor, o que , aliás, era tudo o que eu andava procurando naquela manhã fria de julho.
Sem pensar mais entrei e logo me senti recompensada pela atmosfera aconchegante da mostra. Ali estava representada uma multiplicidade de interpretações do tema. Algumas captei de imediato e gostei do efeito visual, outras apenas admirei pela criatividade do artista ,outras ainda olhei e simplesmente...fiquei na mesma, que arte moderna ,pelo menos pra mim, é coisa demasiadamente complicada, principalmente quando é representada por imensas instalações cheias de fios emaranhados e relâmpagos artificiais cortando um céu de alumínio...Ops, um dia pode ser que ainda chegue lá,mas, por enquanto, estou ainda um pouco distante da inspiração de todas aquelas mentes .
Pois lá ia eu, diante daquelas obras todas, meio que boiando aqui, encalhando ali, quando de repente, comecei a ouvir sons de vozes infantis; me voltei e pude observar que uma turminha de pré-escola invadia o ambiente, todos na faixa dos 4 ou 5 anos num alegre matraquear. Junto deles, duas professoras tentavam controlar a situação, porém sem muito sucesso porque, vez por outra, um deles saia da fila e corria pelas alamedas ,  outro soltava um gritinho bem agudo e mais um simplesmente se deitava no chão, com toda a naturalidade das crianças.
Aquilo me pareceu bastante engraçado, ao mesmo tempo em que fiquei me perguntando: o que aquelas duas poderiam esperar de crianças tão pequenas num lugar daqueles? Oque poderiam elas entender do que viam?... As professoras explicavam e explicavam, incansáveis ao que me parecia para uma turma totalmente despersa,eles até cantavam musiquinhas da escola bem durante a explanação,rssss...
Não sei se por solidariedade às professoras ou para pegar carona nas explicações , resolvi acompanhar o grupo. O passeio se tornou até bem mais agradável para mim.
Ao final , todos se dirigiram a uma pequena praça de alimentação e sacaram de seus lanches, naquela já conhecida animação. Comiam e conversavam, enquanto as professoras tentavam saber a opinião de cada um a respeito de tudo o que haviam visto. Aqui preciso descrever a cena que se passava do lado de fora de onde estávamos, pois as paredes , que são de vidro, fazem a integração do interior com o exterior do prédio e lá estavam alguns moradores de rua que se aqueciam junto a uma fogueirinha improvisada com gravetos.
 Pois bem, diante da insistência das "tias" os pequenos respondiam de maneira aleatória, quase que sob indução pois, pensava eu, eles nem haviam entendido nada mesmo...
Pois sim... que boba sou eu ,que não canso de   me surpreender com a alma infantil... De repente, um pequenininho assim, do tamanho de um guarda chuva, se levanta, aponta para a fogueirinha lá de fora e na maior simplicidade detona: "Tia, olha a fogueirinha,ela também é obra de arte,né? É luz e movimento".
UAU!!!...ganhei meu dia, e de quebra ainda aprendi que a arte é a forma de comunicação mais pura e absoluta que pode existir ,quem a trouxer dentro de si sempre a identificará no seu exterior.








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