segunda-feira, 11 de abril de 2011

"Nós que aqui estamos, por vós esperamos."

Esta é a inscrição que se pode ler, no portal de entrada de um cemitério,situado em Paraibuna,cidade do interior paulista.
Eu já tinha conhecimento desse fato instigante, mas no fim-de-semana passado, assisti a um documentário inspirado nele. O filme,lançado em 1999 e ganhador de vários prêmios, mostra exatamente o que a frase me induziu a pensar, embora, lendo depois sobre o assumto, descobri que existem interpretações as mais diversas sobre o tema.
Lembro da primeira vez em que vi a foto do tal cemitério; na verdade eu estava simplesmente navegando na rede, de bobeira mesmo, e naquela de uma coisa levar à outra...de repente, lá estava  aquela imagem impactante, motivando mesmo um, digamos...pequeno susto e consequentemente trazendo à tona uma porção de pensamentos dos quais, é preciso que se diga, nós seres humanos, quase sempre nos esquivamos.
Por que será que a idéia da morte carrega consigo tamanho peso? A única certeza que se tem nesta vida é a de sua finitude, no entanto,independente de qualquer coisa, o que sempre se sobressai nas elocubração a respeito do tema é o rompimento definitivo de todos os laços que nos prendem a tudo e a todos que amamos. Daí, como forma de defesa contra algo tão insuportável, passamos a ignorar a verdade absoluta e a viver a nossa ingênua e fugaz imortalidade terrena. Mas isso é ruim demais...cá pra nós, é péssimo não acreditar que nosso tempo seja tão curto, porque a gente vai perdendo tantas oportunidades de ser  feliz e de dar felicidade ao outro, que chega a ser patético.
A vida  passa,e quantas vezes deixamos que os dias se escoem como água por entre os dedos, sendo preenchidos por orgulho, desânimo, desamor, mágoa, depressão, preconceitos os mais diversos, para ,bem mais tarde na maioria das vezes,querermos recuperar o irrecuperável, pobres de nós...
Por convicção, encaro a morte como transformação, mas, como em toda transformação, existe o fim de alguma coisa para o recomeço posterior. Mas, alguns dos meus queridos já se foram, seu tempo acabou,como o meu irá acabar e "Nós que aqui estamos, por vós esperamos",em tradução adequada deve ser: "Aproveite cada momento, não deixe a vida passar simplesmente, mas mesmo quando tudo estiver aparentemente terminado, estaremos todos aqui para a grande festa do nosso reencontro".
Não seria isso o que pretende comunicar a tal inscrição?...

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