"-Vai levar peixe hoje,Aninha? Aproveita que o filé tá fresquinho..."
"-Vou sim, Aninha, me pesa aí um quilo."
"Mas vai dar pr'aquele povo todo?..."
"-Dá sim,que meu filho nem vem nesse fim-de-semana".
"-Então tá aqui, no capricho. Vai com Deus Aninha..."
Este diálogo,tão simples quanto insólito, me faz sair dando risada. Não sei nada de Aninha,nem ela de mim, mas não precisa. Só sei que ela não se chama Ana, muito menos eu, entretanto,esta é apenas uma reciprocidade carinhosa de tratamento.
Aninha vende peixes num grande mercado da cidade, mas dá de graça toda a sua simpatia, sorrindo generosamente para todos, sem barreiras, sem discriminações,é uma mulher simples, absolutamente comum, mas que consegue fazer sorrir até o mais sisudo dos clientes. Ela nos dá a sensação de estarmos diante de alguém de nossa própria família, aquela prima ou aquela tia querida , com quem sempre podemos contar.
E é aí que me pego pensando:
Como seria este mundo louco, se houvesse uma Aninha em cada esquina? E se todos nos libertássemos de nossas amarras e conseguíssemos ser tão leves e tão superiores assim? Imagine se sorríssemos no trânsito congestionado para o motorista ao lado, e nas filas estressantes dos bancos, e nas burocráticas repartições públicas e se nas ruas, nos topássemos às risadas e trocássemos bênçãos a torto e à direita?...Estou absolutamente convicta de não existiria mais tanta violência,tantos crimes, tanta droga e nem existiria mais tanta miséria, pois que a maior de todas as carências humanas ainda é a afetiva, presente em todas as classes sociais.
Aninha é como qualquer pessoa e como todos , tem seus problemas, suas aflições e suas limitações, mas ela ri ...Ah, como Aninha ri!... E com toda a certeza, exoscisa seus fantasmas e os dos outros também, sem se importar com o cotidiano tantas vezes insípido e até desanimador. Aninha segue em frente,sempre sorrindo,ela faz a sua parte.
Nenhum comentário:
Postar um comentário